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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Teatro… ou tragédia?

O mais desatento ouvindo o tom do discurso do Primeiro Ministro português e a sua coreografia gestual, depressa dirá que está perante mais um politico candidato em algumas eleições próximas.

Sem dúvida que, salvo aquele dia em que Primeiro Ministro e Ministro das Finanças vieram publicamente declarar o estado das finanças públicas e pedir grandes sacrifícios aos portugueses, depois de meses antes nas eleições terem criticado quem dizia que não havia dinheiro para investimentos públicos megalómanos, a sua presença em público é sempre idêntica:

O mesmo tom, os mesmos gestos, a mesma direcção, o mesmo objectivo: Criticar o PSD como se o PSD fosse governo e ele, primeiro ministro, o chefe da oposição.

Contudo, este estado difícil das finanças públicas foi criado por si mesmo e ampliado por si mesmo, num despesismo inútil dirigido à auto sustentação politica com medidas que levam a que os salários de alguns e subsídios de outros consumam o que os muitos demais trabalhadores deviam receber.

Agora, já se diz que é preciso reduzir os vencimentos dos dirigentes da Administração Central e quem sabe, reduzir o próprio número de dirigentes, assim como reduzir em vinte por cento os elementos da administração do Sector Empresarial do Estado.

Março será, eventualmente, o mês da nova aparição em público a pedir sacrifícios.
Porquê tais reduções? Será, certamente, a pergunta que se impõe.

Será que estes vinte por cento de dirigentes altamente remunerados são assim dispensáveis de um dia para o outro?

E, já o eram há anos atrás ou foram acrescentados com a governação actual?

Será esta a coragem que o Primeiro Ministro e seus adjuntos e seguidores alegam ter se mantêm cargos de administração desnecessários?

Porque não hão-de os lugares da administração pública, seja no sector empresarial do estado, seja no sector administrativo propriamente dito, seja no âmbito autárquico, ser apenas em número adequado à execução dos serviços prestados?

Não seria uma função governativa fazer esse acompanhamento e adequação permanentes?

Não dá votos extinguir lugares?
É a legislação que o não permite?
E agora permitirá reduzir vinte por cento?
Ou estes anúncios de redução não passam de teatro folclórico para o povo ver?

Quando não se governa mas se gastam as energias em fazer oposição, algo tem de ficar para trás.

Um dia destes, com consequências para todos, deixaremos de assistir a cenas de teatro para verificarmos que afinal é mais trágico do que parecia.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Não haverá …

Não haverá despedimentos na função pública …

Ao proferir esta frase socialmente polémica, não estava o Primeiro Ministro / Secretário Geral do PS, conforme entenderem, contrariamente ao que afirmou teatralizando, a querer dizer que o PSD se propõe fazê-lo, nisso tendo sido já desmentido, mas sim a criar o ambiente social necessário à implementação dessa mesma medida que o Governo Socialista já decidiu pôr em prática.

O alvoroço e inquietação que gerou tal atitude junto das centrais sindicais é exemplo disso mesmo, uma vez que quando o Primeiro Ministro se dirige aos portugueses alegando uma coisa está a pensar exactamente no oposto.

E, mais uma vez, procura de forma extraordinariamente reflectida e astuciosa fazê-lo atribuindo as culpas aos outros, transformando uma medida socialmente muito difícil numa arma de arremesso e de captação de votos fazendo manifestamente campanha politica, em oposição à oposição, quando o seu dever era governar.

E, nem o momento terá sido escolhido ao acaso. É que acaba de ser publicada legislação sobre a reorganização curricular que vai mandar para o desemprego muitos professores.

E, quanto eu saiba, os professores também ainda são funcionários públicos.

Assim, se até hoje a questão do eventual despedimento de funcionários públicos não tinha sido assumida pelo governo, passou a sê-lo com esta declaração do Secretário Geral do PS, Primeiro Ministro.
Como exemplos, Basta pensar nas portagens, nos aumentos dos impostos, ...

E, num ano em que podem vir a ocorrer eleições legislativas, Sócrates prepara-se para se recandidatar a novo mandato, fazendo exactamente o que tem demonstrado fazer, aquilo que diz não fazer.

Lembram-se de quando se debateu a questão da limitação de mandatos dos presidentes de autarquias e de governos regionais se perguntou porque é que não se limitava o número de mandatos do primeiro ministro?

A afirmação foi do actual Primeiro Ministro no sentido de que não passaria pela cabeça de ninguém candidatar-se a mais do que dois mandatos à frente do governo nacional.