quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mérito e Excelência


Nestes dias conturbados, em que o termo poupança assume uma relevância excepcional, por este país ainda se vão tomando atitudes cujo “mérito” é de reconhecer.

Refiro-me, em concreto, à acção desenvolvida ontem pelo “ex agrupamento” de Escolas de Castro Daire, ou outro qualquer nome que lhe queiram dar, cujo “mérito” na troca de nomes não é por certo o maior, acção essa, dizia, no sentido de reconhecer publicamente, em “cerimónia solene” realizada no Auditório Municipal, o trabalho de estudo desenvolvido pelos seus alunos e que em termos de resultados se traduziu na atribuição, em média, da nota máxima.   

E, se tal gesto, economicamente, significou algum gasto em papel e pequenas lembranças, atendendo até ao número dos contemplados (cerca de 90 jovens) cujo Ministério da Educação não pôde comportar mas que outras entidades da comunidade local assumiram, apoiando monetariamente a iniciativa, creio ter sido mais útil e estimulante para os seus destinatários em concreto e para toda a comunidade escolar em geral, do que outras e recorrentes alegadas iniciativas culturais bem mais caras, subsidiadas com dinheiro público e já sem qualquer significado, por tão corriqueiras se terem tornado.

No caso em concreto promoveu-se o mérito e a excelência no âmbito do trabalho escolar, de jovens deste concelho que se pretendem cada vez, em maior número, mais esclarecidos e com mais apetência para serem os melhores através do seu trabalho, seja em que área vier a ser, capazes de concorrerem em pé de igualdade com os demais em qualquer área de actividade.

E, promovendo-se o mérito e a excelência, está-se, sem dúvida alguma, a contribuir para que amanhã, ao invés do que tem vindo a acontecer, não se cometam erros trágicos para o desenvolvimento deste país, como agora se reclama a todo o momento, num período em que parece serem os estrangeiros que nos vão governar.

É certo que também já é ditado antigo que os melhores acabam por abandonar o país indo à procura de oportunidades que os satisfaçam em países estrangeiros.

Mas, se melhores forem cada vez em maior número, muitos acabarão por ficar por cá dando o seu contributo a estas terras que dele bem precisam.

Por isso, estou confiante que após gerações “à rasca” virá o tempo em que novas gerações saberão encontrar os caminhos e opções certas para tornar este país melhor do que está hoje.

Por isso, o meu reconhecimento por esta simples mas significativa atitude de quem, em troca de nada, se dispôs reconhecer publicamente o mérito de outros.    

domingo, 10 de abril de 2011

Folclore eleitoral

Folclore? Ou Fado?

Música triste é.

Mas continuará o povo a contentar-se com esta música já conhecida que nos foi repetidamente apresentada ao longo destes últimos seis anos?

Continuará o povo a gostar de ouvir semelhantes papagaios que já não têm nada de novo a apresentar aos mais desesperados que não têm dinheiro para pagar o bilhete de autocarro para ir assistir à festa?

Convencerá este som o ouvido de quem já não tem dinheiro para pagar medicamentos e os bens essenciais para a sobrevivência do dia a dia?

Não sei se é só descaramento de atitude, se desprezo por todo o “zé povinho”.

Mas, que é triste elevar a mentira a principio geral orientador da governação, isso é, não tenho duvidas de que é.

Por isso, neste momento pré-eleitoral, poderei dizer ter dúvidas em quem vou votar, mas tenho a certeza em quem não votarei.

Neste país em que parece que tudo depende da falta de leis, em que tanto se legisla, se revoga, se altera, se volta a alterar, ainda não vi ninguém propor que passasse a constar da Constituição da República uma regra segundo a qual a falta de verdade nas declarações sobre as condições de governabilidade do país e os objectivos da governação seria motivo de perda de mandato e impedimento de ocupação de cargos públicos.

Creio que já é tempo de trazermos seriedade e dignidade às funções de governação.
O carnaval não dura sempre nem é modo de vida sustentável.

Contudo, porque o povo é “quem mais ordena”, esperamos que os candidatos digam tudo o que querem fazer e o povo venha a saber ordenar, escolhendo em conformidade com o que acharem mais razoável.  

Uma coisa é certa. Não vale a pena continuarem a dizer que se deixaram enganar, porque à terceira só cai quem quer caír.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um fim anunciado

Porque já estamos habituados a que um primeiro ministro quando diz não quer dizer sim, já nada nos pode espantar no âmbito das medidas a adoptar pela classe politica que elegemos.

A propaganda foi tanta que a população portuguesa já está resignada e parece até disposta, senão a pedir desculpa, a perdoar, quem a dirigiu nestes últimos anos ao precipício onde se encontra!

É, realmente, notável, como consegue este governo fazer passar a mensagem de que, apesar de ser ele a governar, não foi ele o responsável pela condução dos destinos do país nestes últimos seis anos!

Enfim. Palavras para quê.

Mas terá a sociedade portuguesa capacidade para se unir em torno das melhores ideias e fazê-las vingar de forma a mudar o rumo económico e financeiro do país?

Será possível continuar a acreditar que é bom para a economia nacional pagar para não produzir e subsidiar o absentismo?

Temos sido inundados de afirmações de vitimização, como se quem está no poder não soubesse, melhor do que nós, as reais incapacidades do país para se livrar deste desfecho.

Contudo, não temos ouvido os responsáveis políticos discutirem os caminhos possíveis e necessários para redireccionar as linhas estratégicas da nossa economia, as medidas que serão capazes de, a curto ou médio prazo, devolverem à nossa economia capacidade de produção e de expansão.

Preferem o mesmo de sempre: A agressão verbal sobre os outros como forma de manutenção no poder, único lugar capaz de garantir os “jobs” a todos os amigos, independentemente dos sacrifícios que exijam à população em geral.

Ainda gostaria de um dia destes ver responsabilizado em termos penais comportamentos de gestão politica manifestamente contrários aos princípios de uma gestão correcta da coisa pública.

Não seria democrático, diriam logo em coro!

Mas será esta forma de governar a melhor?

E sendo este o desfecho nacional, quais serão as consequências a nivel regional e local?